O termo vem de Freud: na análise, o paciente transfere para o analista as fantasias e os afetos antes ligados às figuras dos pais. Jung define a transferência, em sentido preciso, como uma projeção de conteúdos inconscientes sobre a pessoa que está analisando o inconsciente, e a considera um caso especial do processo mais geral da projeção.
Jung discorda de reduzir a transferência a fantasias eróticas infantis. O que se projeta no analista pode ser também conteúdo coletivo, arquetípico: a imagem do salvador, do mago, do sábio. E a relação não é de mão única: o analista também é afetado, e a análise é um encontro em que os dois se transformam.
Jung dedicou um livro ao tema, A psicologia da transferência (1946), em que lê a relação entre analista e paciente com as imagens alquímicas da união dos opostos. Para ele, a transferência não é um obstáculo a remover, mas o lugar onde o trabalho acontece.

