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Psicologia NÃO É CIÊNCIA!

Em Presente e futuro, Jung chamou a compreensão do indivíduo de crime de lesa-majestade contra a ciência, e ainda assim se recusou a escolher entre as duas.

Raposa Analítica

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Psicologia NÃO É CIÊNCIA!
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É mais fácil chamar o paciente de autista, pois sobre autismo existe literatura, existe escala e existe conduta. Quem entra na sessão de posse do diagnóstico já sabe o que vai encontrar, e quase tudo que o paciente disser caberá em alguma categoria conhecida. A sessão fica administrável, mas o preço dessa administração não aparece na hora, porque aquilo que não coube na categoria sai do campo de visão do clínico sem que ele perceba a saída.

O diagnóstico protege o clínico da realidade psíquica de um sujeito difícil de encarar sem intermediário, e o paciente paga a proteção com a parte de si que não coube na categoria. Jung registra esse custo do lado do paciente em Presente e futuro, um ensaio de 1957 sobre o indivíduo ameaçado pela sociedade de massa, ao escrever que “quanto mais esquemático o tratamento, maiores as resistências no paciente e mais comprometida a possibilidade de cura” (OC 10/1, §497). O mesmo gesto tem uma versão erudita, em que a teoria ocupa o lugar do manual diagnóstico, pois quem proclama que todo sonho é realização de desejo, ou que todo sonho é compensação, também deixa de olhar para o caso que tem diante de si. Para quem atende, é mais confortável saber sobre o sonho do que admitir ignorância diante deste sonho.

Jung recusava a versão erudita também quando ela levava o nome dele. Numa das conferências de “Psicologia analítica e educação”, publicadas em 1926, ele acha “cômico” que médicos “hábeis em negócio” digam tratar pelo método de Adler, de Freud “ou até mesmo ‘Jung’”, e responde que “não existe tal tratamento, nem pode existir” (OC 17, §203). No mesmo parágrafo ele conclui que “o emprego obstinado de determinada teoria e de certo método deve ser considerado errado”, porque a terapia da neurose “deve ser sempre individual”, e acrescenta que, se em algum caso ficou evidente “que não existem doenças, mas sim pessoas doentes”, foi nas neuroses.

Um crime de lesa-majestade

Presente e futuro saiu quando Jung tinha 81 anos. Nos parágrafos de abertura do ensaio, ele separa o conhecimento do homem em geral da compreensão de um homem em particular, e dá à compreensão um nome tirado do direito penal.

Quer se trate da compreensão de um ser humano ou do conhecimento de mim mesmo, devo abandonar, em ambos os casos, todos os pressupostos teóricos. E tenho consciência de, eventualmente, passar por cima do conhecimento científico. No entanto, considerando-se que o conhecimento científico goza não apenas de aceitação universal mas constitui a única autoridade para o homem moderno, a compreensão do indivíduo significa, por assim dizer, o “crimen laese maiestatis” (um crime de lesa-majestade) porque prescinde do conhecimento científico. Essa renúncia significa um grande sacrifício; de fato, a atitude científica não pode abrir mão da consciência de sua responsabilidade. Se o psicólogo em causa for um médico que não apenas pretende classificar seus pacientes segundo as categorias científicas mas também deseja compreendê-los, ficará, em certas situações, exposto a uma colisão de direitos entre duas partes opostas e excludentes: de um lado, o conhecimento e, de outro, a compreensão. Esse conflito não se resolve com uma alternativa exclusiva - “ou ou” - e sim por uma via dupla do pensamento: fazer uma coisa sem perder a outra de vista.

Lesa-majestade é o crime contra o soberano, e o soberano, nesse parágrafo, é o conhecimento científico enquanto “única autoridade para o homem moderno”. Jung atenua a figura com um “por assim dizer” e, na frase seguinte, admite o custo da própria posição, pois a renúncia ao saber geral é “um grande sacrifício” e a ciência tem razão em não abrir mão da responsabilidade. Com essa concessão, o crime vira uma colisão de direitos, em que conhecimento e compreensão têm razão ao mesmo tempo e se excluem. O médico que quer compreender o paciente fica dentro da colisão, e a saída que Jung propõe é uma via dupla do pensamento, que faz uma coisa sem perder a outra de vista.

Conhecer é tirar a média

O lado do conhecimento aparece, no mesmo ensaio, como estatística. Jung sustenta que “toda teoria que se baseia na experiência é, necessariamente, estatística”, pois ela estipula “uma média ideal, que elimina todas as exceções” (OC 10/1, §493). O exemplo dele é o de quem pesa cada seixo do fundo de um rio, obtém uma média de 145 gramas e pode não encontrar uma só pedra com esse peso, por mais que procure. O método funciona quando descarta o que não se repete, porque quem procura a regra precisa tratar a individualidade como desvio em torno da média. Ele erra quando a média passa por retrato do caso, e nesse uso o indivíduo, para o julgamento científico, “pode ser igualmente expresso por uma letra ou um número” (OC 10/1, §497).

Junto com o descarte vem uma segunda operação, que separa quem observa daquilo que é observado. A astronomia do século XIX chamou de equação pessoal o atraso próprio e constante que cada observador introduz na medida, e a psicologia experimental herdou o termo nos tempos de reação. Jung o estende em Tipos psicológicos, de 1921, quando escreve que “há também uma equação pessoal psicológica e não apenas psicofísica. Enxergamos cores, mas não o comprimento das ondas” (OC 6, §8). No prefácio de Psicologia e poesia, ele tira a consequência para quem teoriza, pois “o psicólogo deveria ter sempre presente o fato de que sua hipótese é a expressão de sua própria condição subjetiva, não devendo portanto reivindicar para ela, sem mais nem menos, uma validade geral” (OC 15, p. 56). A exigência deixa a hipótese inteira, assim como uma obra não se reduz ao autor, e faz de toda concepção sobre a psique um fato psicológico. Supor inócuo o instrumento de medida seria irreal, pois aqui o instrumento é feito da mesma matéria que a coisa medida.

A tipologia nasce dessa exigência, e Jung recusa o uso classificatório que se fez dela. Num anexo do mesmo livro, ele escreve que a tipologia “não tem a finalidade, em si bastante inútil, de dividir as pessoas em categorias, mas significa antes uma psicologia crítica”, e que ela é “meio indispensável para determinar o equacionamento pessoal do psicólogo praticante” (OC 6, §1057). Psicologia crítica, nesse uso, quer dizer o estudo de quem são os sujeitos que produzem o conhecimento e de como as funções de cada um entram no julgamento, antes de qualquer discussão sobre os fatos julgados. Na abertura da quarta parte de Presente e futuro, Jung acha “espantoso que o homem, causador, descobridor e veículo de tantos desenvolvimentos, autor de todos os julgamentos e decisões e planejador do futuro, tenha feito de si mesmo uma quantité négligeable” (OC 10/1, §525). A expressão francesa designa a quantidade desprezível dos cálculos, e com ela o sujeito que produz todos os julgamentos fica com peso zero na conta que ele mesmo faz.

A abstração violenta os fatos, e a violência é necessária quando quem a comete sabe o que está fazendo. Jung escreve a regra no mesmo ensaio, ao dizer que uma psicologia orientada cientificamente “deve se afastar de seu objeto concreto mas sem o perder de vista” (OC 10/1, §531). Afastar-se do objeto sem perdê-lo de vista é a via dupla aplicada ao conhecimento, enquanto a compreensão, do outro lado, tem exigências próprias.

Compreender também tem preço

A compreensão faz o movimento inverso, porque fica junto do fenômeno e não corrige irregularidade nenhuma. Para ela, escreve Jung, “o homem em sua singularidade consiste no único e no mais nobre objeto de sua investigação, sendo necessário o abandono de todas as leis e regras que, antes de tudo, se encontram no coração da ciência” (OC 10/1, §497), e por isso Jung só pode empreender a tarefa “com a mente desembaraçada e livre” (OC 10/1, §495). A mente livre continua sendo a de alguém. Nos “Princípios básicos da prática da psicoterapia”, de 1935, ao definir a psicoterapia como método dialético, Jung admite que só pode afirmar sobre a individualidade do outro aquilo que encontra na própria, de modo que corre “o risco, ou de violentar o outro, ou de sucumbir por minha vez ao seu poder de persuasão” (OC 16/1, §2).

Os dois riscos dos “Princípios básicos” correspondem aos dois lados da antinomia de Presente e futuro, pois a teoria violenta o caso, e a compreensão sem limite sucumbe ao outro. Jung admite o segundo risco em Presente e futuro contra o próprio interesse, porque a compreensão é a posição que ele defende no ensaio.

A situação se subjetiviza amplamente porque passa a considerar como “compreensão” aquilo que o médico e o paciente sentem. O que, de início, era uma vantagem corre o perigo de se transformar em desvantagem. Com a subjetivação (ou para empregar os termos técnicos: transferência e contratransferência) isola-se do meio ambiente, ou seja, ocorre uma limitação social indesejável para ambos, toda vez que a compreensão é excessiva e não é mais balanceada pelo conhecimento. Via de regra, quando a compreensão aumenta, cresce a distância entre ela e o conhecimento. Na verdade a compreensão ideal seria uma convivência e uma condução totalmente impregnadas de subjetividade e destituídas de conhecimento e responsabilidade social. Uma compreensão tão abrangente é, porém, impossível, porque exige uma adaptação total de ambos os indivíduos e, mais cedo ou mais tarde, chegaria o momento em que um dos parceiros ver-se-ia obrigado a sacrificar sua própria individualidade em favor da individualidade do outro. Essa consequência inevitável romperia a compreensão, cujo pressuposto básico é precisamente a preservação integral da individualidade de ambos os parceiros.

A concessão custa caro a quem a faz, e por isso pesa mais que a defesa. Jung dá à compreensão em excesso o nome técnico de transferência e contratransferência e lhe atribui dois danos, já que o par se isola do mundo e um dos dois acaba sacrificando a própria individualidade à do outro. Como a compreensão pressupõe as duas individualidades inteiras, levada até o fim ela destrói a condição de que depende, e o que sobra são duas pessoas concordando, sem confronto e sem trabalho. O remédio que Jung propõe é de medida, pois “o mais aconselhável é o exercício da compreensão até que se alcance o equilíbrio entre esta e o conhecimento” (OC 10/1, §532).

A antinomia fica aberta

Conhecimento e compreensão formam uma antinomia, isto é, duas exigências igualmente válidas que se excluem, e a pergunta óbvia é qual das duas escolher. A resposta de Jung é não escolher de antemão. Nos mesmos “Princípios básicos”, ele descreve como isso se faz na sessão, pois o método dialético “consiste em confrontar as averiguações mútuas”, o que só é possível se o analista deixar ao paciente “a oportunidade de apresentar seu material o mais completamente possível” (OC 16/1, §2), sem limitá-lo pelos próprios pressupostos. A hipótese do analista vai para a sessão e volta modificada pelo que o paciente faz com ela, e essa volta produz o fato que decide entre os dois lados. Uma interpretação errada tem consequência que se observa, pois o paciente piora, e a piora aparece nas sessões seguintes, de modo que sempre existe a próxima sessão para corrigir o rumo.

A mesma postura vale diante das convicções do paciente. O médico, escreve Jung, respeita as convicções metafísicas do paciente, embora não se possam verificar, e cuida “de não lhes atribuir um valor universal”, porque precisa deixar margem “para as influências do meio, para o desenvolvimento interior e, em última instância, para o destino e suas decisões mais ou menos sábias” (OC 10/1, §533). No parágrafo seguinte, porém, o vocabulário jurídico volta com outra função. Nele, contra os anúncios, as propagandas e o “você deve” que cercam o paciente, o médico precisa “ao menos uma vez, desempenhar o papel de advogado de defesa” (OC 10/1, §534). A compreensão que ofendia a autoridade da ciência passa a defender o paciente contra os “fatores coletivos aos quais o paciente já sucumbiu” (OC 10/1, §534).

O objeto escolhe as questões

A psicologia acadêmica, segundo Jung, “tem inteira liberdade na escolha das questões que fizer à natureza” e costuma usá-la para se retrair “ante os fatos mais complexos em favor de questionamentos mais simples” (OC 10/1, §531). A psicologia médica não tem essa liberdade, pois “aqui é o objeto que coloca as questões, e o experimentador, o médico, depara-se com fatos que não escolheu e que certamente não escolheria se tivesse liberdade para isso” (OC 10/1, §532). Cada caso chega convidando o clínico a largar o ferramental e a construir uma psicologia inteira para aquele sujeito, e o convite angustia, porque exige acreditar que possa vir algo de bom da própria alma e do próprio exercício de teorizar.

Em Psicologia e alquimia, de 1944, Jung descreve o que se faz para recusar esse convite. Ele escreve que “não hesitamos em fazer as coisas mais absurdas a fim de escapar à própria alma”, e a lista que segue é de práticas místicas, pois “pratica-se a ioga indiana de qualquer escola, seguem-se regimes alimentares, aprende-se de cor a teosofia”, tudo isso “porque falta fé em que algo de útil possa brotar de nossa própria alma” (OC 12, §126). O psicólogo de temperamento científico fica fora da lista e foge pelo mesmo motivo, trocando o mantra pela abstração teórica, de modo que a teoria, no consultório erudito, protege o clínico como o manual diagnóstico o protege no consultório apressado.

A norma que sobra

Nada disso leva Jung a abandonar a abstração. Em “Questões básicas da psicoterapia”, de 1951, ele explica que os tipos psicológicos geram oito pontos de vista teoricamente possíveis e, somados aos pressupostos de cada um, “uma infinidade de concepções possíveis, todas justificáveis, pelo menos, subjetivamente”, de modo que “a crítica dos pressupostos psicológicos, quando da formação de qualquer teoria, torna-se uma necessidade imperiosa”. Em seguida, ele estabelece uma norma mais dura que a exigência corrente de rigor.

Geralmente, forma-se, portanto, uma variante subjetiva da experiência geral, e isso, por si só, já exige uma autocrítica muito cuidadosa e um amplo trabalho comparativo, para se formar um juízo um pouco mais amplo. Mas, neste esforço indispensável, quanto mais se insistir nos princípios da consciência, maior o perigo de interpretar a experiência no sentido deles, o que leva à teorização e à violentação dos fatos. Nossa experiência psicológica ainda é demasiado nova e pouco extensa, para permitir teorias universais. É preciso pesquisar primeiro uma quantidade de fatos, para aclarar a natureza da alma, antes de pensar sequer em estabelecer proposições de validade universal. Por enquanto, temos que ater-nos à norma seguinte: toda proposição psicológica só pode ser considerada válida quando, e somente quando a validade do seu sentido oposto também puder ser reconhecida.

A norma da inversão separa o que é psicológico do que é gosto pessoal (OC 16/1, §236). Uma proposição sobre a psique só é psicológica quando a oposta também pode ser reconhecida como válida, e onde a oposta é reconhecivelmente falsa o que se enunciou foi uma preferência de quem enunciou. Jung volta à norma em outro texto, um ensaio de 1954 sobre a figura do trickster, e a funda na estrutura contraditória da psique, ao escrever que “não há proposições psicológicas gerais que não possam ser invertidas, e justamente por isso elas provam sua validade”, porque “em toda discussão psicológica não falamos sobre a psique, mas é a psique que se expressa a si mesma” (OC 9/1, §483). Como a norma vale para qualquer proposição, ela vale contra Jung também, e ele já se incluía nas conferências sobre educação, quando pôs “até mesmo ‘Jung’” entre os métodos que não existem.

A psicologia, escreve Jung nas “Reflexões teóricas sobre a natureza do psíquico”, de 1947, está “em uma situação incômoda, se comparada com outras ciências naturais, porque lhe falta uma base fora de seu objeto”, e a conclusão que ele tira é que “a Psicologia é forçada a suprimir-se, e é justamente nesta situação que ela alcança o seu objetivo científico. Qualquer outra ciência tem, por assim dizer, um objeto exterior a si mesma, o que não acontece com a Psicologia, cujo objeto é o sujeito de todas as ciências” (OC 8/2, §429). A supressão tem limite, pois bem antes, em 1935, no prefácio ao livro de Olga von Koenig-Fachsenfeld sobre o problema dos sonhos, ele já havia escrito que a psicologia como ciência “deve renunciar a si mesma, mas só neste alto nível”, e que abaixo dele “são possíveis os julgamentos e, portanto, a ciência na medida em que as premissas do julgamento são fornecidas” (OC 18/2, §1738). O alto nível é aquele em que o objeto da psicologia “abrange ao mesmo tempo o seu próprio ser”, e a clínica trabalha nele toda vez que o clínico entra na equação do caso que observa.

No prefácio de Psicologia e poesia, Jung chama de violência ao objeto “tornar um ponto de vista uma verdade obrigatória, mesmo em termos de pretensão” (OC 15, p. 56). A teoria violenta o caso quando reivindica validade universal, e até lá continua sendo o instrumento de que a clínica precisa.

Referências

As citações seguem a tradução da Obra Completa (OC) e trazem o parágrafo (§), que é o mesmo em todas as edições. A exceção é o prefácio de “Psicologia e poesia”, cuja edição consultada não numera os parágrafos (p. 56).

JUNG, C. G. Presente e futuro (1957). OC, vol. 10/1. Petrópolis: Vozes. §493, §495-497, §525, §531-534.

JUNG, C. G. Psicologia analítica e educação, terceira conferência (1926). In: O desenvolvimento da personalidade. OC, vol. 17. Petrópolis: Vozes. §203.

JUNG, C. G. Tipos psicológicos (1921). OC, vol. 6. Petrópolis: Vozes. §8; e o anexo “Tipologia psicológica”, §1057.

JUNG, C. G. Psicologia e poesia, prefácio. In: O espírito na arte e na ciência. OC, vol. 15. p. 56.

JUNG, C. G. Princípios básicos da prática da psicoterapia (1935); Questões básicas da psicoterapia (1951). In: A prática da psicoterapia. OC, vol. 16/1. Petrópolis: Vozes. §1-2, §236.

JUNG, C. G. Psicologia e alquimia (1944). OC, vol. 12. Petrópolis: Vozes. §126.

JUNG, C. G. A psicologia da figura do trickster (1954). In: Os arquétipos e o inconsciente coletivo. OC, vol. 9/1. Petrópolis: Vozes. §483.

JUNG, C. G. Reflexões teóricas sobre a natureza do psíquico (1947). In: A natureza da psique. OC, vol. 8/2. Petrópolis: Vozes. §429.

JUNG, C. G. Prefácio ao livro de Koenig-Fachsenfeld, Transformações do problema dos sonhos desde o romantismo até a presente data (1935). In: A vida simbólica. OC, vol. 18/2. Petrópolis: Vozes. §1738.

Equação pessoal: o nome vem da astronomia. Em 1796, o astrônomo real Nevil Maskelyne demitiu o assistente cujos registros da passagem das estrelas atrasavam em relação aos dele, e na década de 1820 Friedrich Bessel mostrou que cada observador tem um atraso próprio e constante.

Sobre a antinomia: Jung atribui a Kant a ideia de que sobre o que ultrapassa a experiência só cabem enunciados antinômicos (C. G. Jung: entrevistas e encontros, p. 340), e trata a filosofia de Hegel como “uma autorrevelação de fatores psíquicos situados nas camadas profundas do homem” (OC 8/2, §360).

A ortografia das citações foi atualizada para o acordo ortográfico em vigor, e a citação que continua uma frase começa com letra minúscula.

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