Jung define a neurose como uma dissociação da personalidade, causada pela existência de complexos incompatíveis com a atitude consciente. Ter complexos é normal; o problema começa quando a parte contrária se separa da consciência e passa a agir por conta própria. A neurose é, nas palavras dele, a desunião consigo mesmo.
Jung também a lê em termos de adaptação: a neurose é um processo de adaptação prejudicado, seja ao mundo de fora, seja às necessidades interiores da própria pessoa. Por isso, diz ele, a causa verdadeira está menos na história da infância do que na atitude atual do paciente, no modo como ele assimilou e usou o que viveu.
O sintoma, nesse quadro, não é só um defeito. Jung vê na neurose uma tentativa, ainda que frustrada, de resolver um problema que é da própria vida. Por isso pergunta não apenas pela causa da neurose, mas também pelo que ela está pedindo que a pessoa encare.

