O complexo é o conceito de origem da psicologia de Jung. Ele o descobriu no começo do século XX, nos experimentos de associação de palavras: as hesitações e falhas nas respostas, que antes eram tratadas como erro, revelavam grupos de ideias carregados de emoção. Jung e Riklin deram a isso o nome de complexo de tonalidade afetiva.
Um complexo é a imagem de uma situação psíquica com forte carga emocional e incompatível com a atitude habitual da consciência. Ele tem um núcleo e muitas associações em volta, mantidas juntas pela emoção comum. O traço decisivo é a autonomia: o complexo não obedece ao eu, aparece e some por conta própria e se manifesta em atos falhos, esquecimentos, reações exageradas e sonhos. Jung o chama de uma pequena psique secundária.
Ter complexos é normal; o próprio eu é um complexo. O que Jung sublinha é que, além de termos complexos, os complexos podem nos ter. O grau de autonomia faz a diferença entre o normal e a doença: na neurose ela é relativa, e na psicose pode se tornar absoluta.


