Dissociação é a cisão da personalidade: partes da psique passam a funcionar separadas, às vezes em desacordo com o eu. Jung a conta entre os poucos pontos de vista gerais que sobram de toda teoria da neurose, ao lado do conflito, do complexo e da regressão.
Para Jung, a dissociação é antes de tudo uma propriedade da psique. A psique não é uma estrutura homogênea, mas uma pluralidade de complexos frouxamente ligados, com tendência a se desagregar. Essa tendência tem um lado produtivo: é ela que permite que partes da psique ganhem figura, como os espíritos e os deuses, e que se possa dialogar com a anima.
No sentido clínico, a dissociação é a raiz da neurose. Quando a atitude consciente e a tendência inconsciente se distanciam demais, a consciência vai para um lado e o inconsciente para o outro. O caminho de volta não é eliminar uma das partes, mas reuni-las numa síntese que inclua as duas.

