Jung recusa reduzir o espírito ao intelecto. O espírito, diz ele, nunca foi uma atividade ou uma função humana; está mais perto do que os antigos chamavam de pneuma, uma existência espiritual viva. Num seminário, ele o descreve como consciência intensa combinada com emoção.
A palavra tem uma história que Jung gosta de lembrar. Spiritus e pneuma querem dizer ar, vento, sopro. Na Antiguidade o espírito era pensado como matéria sutil, e só depois da Idade Média o Ocidente passou a usar a palavra como nome de uma função psíquica.
Há ainda os espíritos, no plural, que Jung lê psicologicamente: complexos inconscientes autônomos que aparecem projetados, porque não têm ligação direta com o eu. A crença nos espíritos, espalhada por todos os povos, é para ele uma expressão da estrutura do inconsciente.

