Jung não fez do tempo um conceito próprio, mas falou dele sobretudo pelo avesso. Para ele, o inconsciente não conhece o tempo: no inconsciente não existe tempo, ele é eterno, e coisas separadas por longos intervalos aparecem juntas. Os arquétipos também têm essa qualidade de eternidade, que é outra palavra para atemporalidade.
O tempo é o que faz de um acontecimento história: a sucessão, o aqui e agora em que o indivíduo vive e em que as coisas se tornam reais. Jung também usava a palavra grega kairós para o momento significativo, o tempo qualitativo em que algo está maduro para acontecer.
Quem desenvolveu o tema na escola junguiana foi Marie-Louise von Franz. Ela distingue o tempo do relógio, chronos, do tempo vivido, kairós, e lê a repetição na clínica perguntando se ela gira em falso ou se sobe em espiral, que seria a forma temporal da individuação.


