Sacrifício vem de sacrificium, tornar sagrado. Jung distingue o simples dar do sacrificar: dar algo esperando algo em troca ainda não é sacrifício. Ele só acontece quando se renuncia à troca e o que se dá é sentido como perda, para que não sobre a pretensão egoísta.
Como o que se dá traz a marca do que é meu, todo sacrifício acaba sendo, em maior ou menor grau, um sacrifício de si mesmo: o eu renuncia a uma parte de si. Jung estuda o tema nos ritos antigos, no sacrifício do touro de Mitra, e sobretudo na missa, em que Cristo é ao mesmo tempo quem sacrifica e quem é sacrificado.
No sentido psicológico, o sacrifício é a renúncia interior que a transformação exige. Para que algo novo surja, é preciso abrir mão de uma atitude, de um apego ou de uma imagem de si. Jung lê assim certos símbolos dos sonhos: o que se sacrifica é o que precisava ser deixado para trás.


