Verbete · Religião

Cristo

Para Jung, Cristo é, psicologicamente, um símbolo do si-mesmo: a imagem cristã da totalidade.

Máscara koke (musgo): instinto

máscara do instinto

Jung afirma que Cristo, como ideia, é um símbolo do si-mesmo. Como herói e homem-deus, ele representa a projeção do arquétipo mais importante e central da psique, a totalidade. Os atributos que a tradição dá a Cristo correspondem, diz ele, de modo incomum à fenomenologia do si-mesmo, embora não incluam todos os seus aspectos.

Jung separa três sentidos possíveis da palavra: Cristo como realidade histórica e metafísica, como imagem arquetípica no inconsciente coletivo e como ideia que aponta para um fundo desconhecido. Como psicólogo, ele trabalha com o segundo e o terceiro, sem negar o primeiro. Cristo seria o preenchimento ocidental de um arquétipo que, no Oriente, aparece como Purusha, Atman ou Buda.

Jung também nota o limite da imagem. Cristo é inteiramente bom e luminoso, e por isso deixa de fora a sombra, que a tradição projetou no Anticristo e no diabo. Em Aion (1951), ele estuda essa divisão ao longo da era cristã. E avisa que, quanto mais se crê que Cristo é o si-mesmo, mais fácil é perder a própria relação com ele.