Jung chama de eu, ou ego, o centro da consciência. Em Tipos psicológicos (1921), ele o descreve como um complexo de representações que parece ter grande continuidade e identidade consigo mesmo. Em Aion (1951), o eu é o fator ao qual todos os conteúdos conscientes se referem. Ele se forma a partir da percepção do próprio corpo e dos registros da memória.
O ponto decisivo é que o eu é um complexo entre outros. Jung chegou a ele pela teoria dos complexos, no começo do século XX: os outros complexos são como vassalos que nem sempre obedecem. O eu é o centro da consciência, mas não da psique inteira; esse papel Jung reserva ao si-mesmo.
Por isso a unidade do eu não é um dado garantido. Há na psique outros centros, com algo parecido com uma vontade própria, e para Jung isso é normal. A tarefa não é eliminar esses outros centros, mas o eu aprender a se relacionar com eles.



