Puer aeternus, em latim, quer dizer o eterno menino. Jung não deu uma definição única da figura; usou o termo em registros diferentes. No mais simples, o puer é a personificação do lado infantil do nosso caráter, reprimido justamente por ser infantil.
No registro de conduta, o puer é um modo de se safar da vida: o jeito de quem não pousa, adia o compromisso e vive da promessa do que ainda vai ser. Jung o liga também à mãe: a figura juvenil e suave pode ser um parasita da mãe, que só vive enquanto tem raízes no corpo materno. O correspondente feminino, que ele mencionou já tarde, é a puella aeterna, a eterna menina.
O puer tem também um lado positivo, mítico. O menino divino dos mitos representa o renascimento e a restauração do que estava perdido: a figura da novidade e do futuro. É por isso que ela é ambígua, ao mesmo tempo promessa de renovação e recusa de crescer.

