Jung se aproxima do herói pelo mito. O esqueleto é o mito solar: todo dia um herói nasce do mar, sobe no carro do Sol, é devorado à noite por uma Grande Mãe, atravessa o fundo do mar no ventre de um dragão e, depois de um combate terrível, renasce na manhã seguinte. As vidas dos heróis, em todas as culturas, repetem os mesmos motivos: origem improvável, nascimento ameaçado, salvação, combate, morte e renascimento.
O motivo do herói vem sempre junto com o do dragão: os dois fazem parte do mesmo mito. E o herói é herói justamente porque não é devorado; vence o monstro, e não uma vez só. Psicologicamente, o dragão é a força regressiva do inconsciente, a mãe que retém, e o herói é o impulso de se libertar dela para conquistar consciência.
Jung também lê o herói como figura de algo maior dentro da pessoa. Em certos textos, o herói é o próprio si-mesmo, cujo nascimento é ameaçado por forças coletivas; em outros, é a parte da libido que busca renovação. A jornada do herói é, assim, uma imagem do processo de transformação.

