A doutrina cristã clássica define o mal como privatio boni, a privação do bem: o mal não teria existência própria, seria só a sombra da luz. Jung tem dificuldade em aceitar essa fórmula. Para ele, o mal é uma realidade terrível, e já não se trata de volatilizá-lo como mera privação, mas de reconhecer a sua existência real.
Ele vê bem e mal como opostos que se condicionam: não existe bem sem mal, nem mal sem bem. No melhor está o germe do mal, e nada é tão mau que não possa produzir um bem. Por isso desconfia de quem se identifica só com o lado bom: o lado mau não desaparece, vai para a sombra e é projetado nos outros.
Jung distingue o mal relativo, que cada um pode reconhecer na própria sombra, do mal absoluto, que é uma experiência rara e perturbadora. As suas reflexões sobre o mal o levaram a discutir a imagem de Deus, em Aion e em Resposta a Jó, e a pensar o mal coletivo do século XX.


