Jung lê os demônios psicologicamente. O homem primitivo não psicologizava os complexos que o perturbavam: tomava-os por entidades próprias, isto é, por demônios. O mundo moderno se livrou dos demônios, mas não dos conteúdos autônomos e das suas exigências. Eles apenas mudaram de fisionomia e se tornaram potências psíquicas inconscientes.
Por isso Jung compara os complexos a demônios que perturbam caprichosamente o pensar e o agir. Na Idade Média, as graves perturbações neuróticas eram vistas como possessão: a diferença, diz ele, é só de nome; antes se chamava diabo, hoje se chama neurose. E acrescenta uma regra: se você declara inexistente um valor psíquico, um demônio aparece no lugar dele.
A palavra grega daimon, lembra Jung, também nomeava um poder que vem ao encontro do homem, como a Providência ou o destino, e podia ser bom ou mau. O demônio, nesse sentido, é tudo o que é mais forte que o eu e o arrasta.

