Os opostos estão no centro da psicologia de Jung. Ele diz que vê em tudo o jogo dos opostos e que daí tira a sua ideia de energia psíquica: a energia nasce da tensão entre polos, como a diferença de potencial na física. A vida é um equilíbrio contínuo entre contrários, e abolir os opostos seria o mesmo que a morte.
Jung fala de opostos em vários planos: consciência e inconsciente, introversão e extroversão, pensamento e sentimento, masculino e feminino, espírito e matéria, bem e mal. Ele separa os opostos naturais, como claro e escuro ou quente e frio, dos opostos morais, que pesam mais nas suas reflexões sobre religião.
A unilateralidade da consciência, que escolhe um lado, desperta o lado oposto no inconsciente. Por isso o caminho que Jung propõe não é vencer um polo, mas sustentar a tensão entre os dois até que surja um símbolo capaz de uni-los, a coniunctio dos alquimistas.


