A sombra é a parte inferior e oculta da personalidade: as qualidades que a consciência julga não possuir, mas possui, e que por isso costuma ver nos outros. Jung a descreve como a soma das propriedades ocultas e desfavoráveis, das funções pouco desenvolvidas e dos conteúdos do inconsciente pessoal. Ele escolheu a palavra de propósito, porque um termo técnico prenderia demais o seu conteúdo.
Reconhecer a sombra é um problema moral, não intelectual, e encontra resistência obstinada. Nos sonhos, ela costuma aparecer como uma figura do mesmo sexo do sonhador. Um sinal de que se tocou nela é a explosão de emoção diante de um defeito alheio.
Jung distingue duas escalas. A sombra pessoal pode ser percebida com alguma autocrítica: é o relativamente mau em nós. Como arquétipo, ela confronta com o absolutamente mau, uma experiência rara e perturbadora. E a sombra também tem valor: ninguém é inteiro sem as suas qualidades negativas.



