Jung parte do sentido técnico: o incesto, a rigor, só se aplica ao adulto que não consegue relacionar a sua sexualidade com o objeto adequado. Ele reconhece em Freud o mérito de ter nomeado o complexo de incesto pelo mito de Édipo e aceita que fantasias incestuosas fazem parte da psique infantil normal.
A divergência está no sentido. Para Jung, o complexo de incesto é mais uma formação regressiva da fantasia do que uma realidade: os desejos incestuosos são, em geral, fantasias de regressão disfarçadas. Ele toma o incesto em primeiro lugar como símbolo, um meio de expressão da volta da libido para a mãe.
Essa volta tem um sentido prospectivo: voltar à mãe para nascer de novo. Por isso o incesto aparece tanto nos mitos de renascimento quanto na alquimia, onde a união de irmão e irmã ou de mãe e filho simboliza a coniunctio, a união de opostos que pertencem à mesma família interior.



