Gnose quer dizer conhecimento, e no sentido religioso, conhecimento de Deus por experiência direta, não por fé ou por doutrina. Jung chama de gnose o que recebeu o evangelista João: o conhecimento de Deus que lhe mostrou, como a Jó, o lado temível de Javé.
Historicamente, gnose nomeia os movimentos religiosos dos primeiros séculos da era cristã, os gnósticos, com os seus sistemas cheios de figuras como Sophia, Barbelo e o demiurgo. A Igreja os combateu como os seus piores inimigos. Jung os estudou com atenção, porque via neles uma tentativa de integrar conteúdos arquetípicos, inclusive o lado escuro de Deus, que o dogma deixou de fora.
Para Jung, a gnose sobreviveu de forma disfarçada na alquimia medieval, e a psicologia do inconsciente retoma, por outros meios, o seu interesse pela experiência interior. Ele também falava de um movimento gnóstico moderno: a busca de muita gente de hoje pela psique como lugar da experiência religiosa.


