Jung usa autonomia, primeiro, para descrever o complexo. Um complexo não se submete à vontade: vem e vai segundo as suas próprias leis e pode agir contra as intenções conscientes, impondo-se com força tirânica. Ele defende a palavra dizendo que não saberia descrever de outro modo o comportamento dos conteúdos ativos do inconsciente.
A partir do complexo, a ideia se estende a quase tudo o que escapa ao eu: o inconsciente como um todo, os arquétipos, a anima e o animus, a função inferior. Jung chega a formular uma regra: toda parte relativamente independente da psique tende a se personificar, a ganhar rosto e voz, assim que tem ocasião de se expressar com autonomia.
É por isso que a psicologia de Jung fala de figuras e personagens interiores, e não só de mecanismos. O grau de autonomia também separa o normal da doença: todos têm conteúdos autônomos, mas, quanto mais eles se descolam do eu, mais a personalidade se divide.



