Jung não dá uma definição única de destino. A mais direta o descreve como uma vontade que determina a vida e não coincide com a vontade do eu. Essa força pode ser vivida como vontade de Deus, por quem a aceita, ou como diabo, por quem luta contra ela. Destino, assim, é menos um fato do que a relação do eu com um poder que o ultrapassa.
Jung recolhe também o sentido antigo: a heimarmene dos estoicos, o jugo dos astros a que sucumbe quem é dominado pelos afetos e pelos instintos. Nesse sentido, o destino é o oposto da liberdade, e a libertação dele é um tema da alquimia e da religião.
Mas ele também traz o destino para dentro. É a mim mesmo, diz Jung, que o meu destino expressa em primeiro lugar. Na individuação, o que não é tornado consciente acontece de fora, como destino; quem não acompanha o processo é arrastado por ele.


