Jung parte de uma antinomia: a psique depende do corpo, e o corpo depende da psique. Há provas para os dois lados, e ele se recusa a escolher um. O corpo nada significa sem a psique, e a psique nada significa sem o corpo; em algum lugar existe uma unidade dos dois que ainda não se sabe explicar.
O corpo, para ele, não é matéria inerte, mas um sistema pronto para a vida, que precisa da psique para viver de fato, assim como a psique precisa do corpo para que as suas imagens ganhem realidade. Há também um paralelo evolutivo: o corpo carrega vestígios de estágios mais antigos da vida animal, e a psique, do mesmo modo, conserva traços arcaicos.
É por isso que o instinto ocupa um lugar de fronteira na psicologia de Jung, em parte psíquico e em parte fisiológico, e que os afetos sempre vêm acompanhados de mudanças no corpo.



