Em Tipos psicológicos (1921), Jung define afeto como um estado de sentimento marcado, de um lado, por alterações perceptíveis no corpo e, de outro, por uma perturbação no curso das ideias. Na mesma passagem diz que usa afeto como sinônimo de emoção.
O critério que separa o afeto do sentimento é o corpo. O sentimento, como função, é um julgamento de valor sem grandes reações físicas; quando ganha força suficiente, mobiliza o corpo e vira afeto. A passagem de um para o outro é gradual, mas a diferença importa: o sentimento é uma função que se usa, o afeto é algo que acontece com a gente.
O afeto tem um papel central na teoria de Jung. Os complexos são carregados de afeto, e é pela reação afetiva que eles se denunciam. Num afeto forte, o eu é empurrado para fora de si e outra coisa toma o seu lugar, o que faz do afeto a porta mais comum por onde o inconsciente invade a consciência.



