Jung encontra o caos sobretudo na alquimia, que o herdou da filosofia antiga: um amontoado confuso de matéria crua e desorganizada, onde os elementos ainda não se separaram. Na alquimia, o caos é sinônimo da prima materia, a massa confusa de onde, pelo trabalho, sairá a pedra filosofal. É informe, mas está prenhe de sementes de vida.
Nos mitos, o caos aparece personificado: o mar primordial, o dragão Tiamat que Marduk vence para criar o mundo. Em todas as versões, é o estado anterior à ordem, que a criação separa e organiza.
Psicologicamente, Jung usa o caos para estados de desordem interior, quando a orientação consciente se desfaz. Ele observa que é justamente nesses momentos que surgem as imagens de ordem, como as mandalas e os símbolos de quatro partes. O caos, assim, não é só ameaça: é a matéria-prima de uma nova organização.


