Jung usa emoção e afeto como sinônimos: os dois nomeiam a mesma coisa que nos afeta e interfere em nós. Ele a distingue do sentimento pelo corpo. O sentimento pode não ter manifestação física; a emoção sempre vem acompanhada de uma condição fisiológica alterada.
O traço que Jung mais sublinha é a passividade. A emoção não é uma atividade, mas um evento que sucede ao indivíduo. Nela, diz ele, somos empurrados, atirados para fora de nós mesmos: o eu decente se anula e é substituído por outra coisa. A pessoa vira mais objeto do que sujeito da emoção.
Ao mesmo tempo, a emoção tem valor. Jung vê nela uma das fontes da tomada de consciência: é a tensão emocional que muitas vezes faz algo novo surgir. O que importa é o eu não se perder nela, mas conseguir olhar para o que ela traz.


