Para Jung, sentimento é a função que avalia o valor das coisas: agradável ou desagradável, importante ou indiferente, aceito ou recusado. A pergunta do sentimento não é “o que é isto?”, que é a do pensamento, mas “quanto isto vale?”.
O ponto que desfaz o mal-entendido é este: sentimento não é emoção. A emoção, ou afeto, irrompe com o corpo e é involuntária; o sentimento diferenciado é uma função disponível, que julga, e por isso Jung a conta entre as racionais, ao lado do pensamento. Ele também separa sentimento de amor: o amor é relação, e pode-se sentir o valor de algo sem ter relação com ele.
O sentimento é o oposto do pensamento. Quem tem o pensamento como função dominante tende a ter o sentimento como função inferior, pouco desenvolvido e arcaico. E a consciência do próprio valor muitas vezes se forma no encontro: é diante do outro que se descobre o que uma coisa representa para nós.


