Jung usa paradoxo para aquilo que só pode ser descrito com duas afirmações que se excluem logicamente, mas que são necessárias juntas. Um exemplo é a relatividade da consciência: os conteúdos psíquicos são ao mesmo tempo conscientes e inconscientes, conscientes sob um aspecto, inconscientes sob outro.
O lugar por excelência do paradoxo é o si-mesmo. Jung o descreve como masculino e feminino, velho e criança, poderoso e indefeso, grande e pequeno: uma verdadeira união dos opostos. O mesmo vale para os arquétipos em geral, que são, por princípio, paradoxais.
Para Jung, o paradoxo não é um defeito do pensamento, mas a forma mais fiel de falar de realidades que ultrapassam a consciência. Por isso ele valoriza a linguagem paradoxal das religiões e da alquimia, que preserva a riqueza do que não cabe numa fórmula única, e desconfia das explicações que resolvem a contradição cedo demais.


