Natureza é uma palavra que Jung usa para dizer que algo não é invenção nem artifício da consciência, mas produção espontânea, com leis próprias. A psique humana, diz ele, é um fenômeno natural, com raízes nos instintos, como a dos animais. O sonho é natureza: não engana, não mente, não disfarça. E o arquétipo é natureza pura, que faz o ser humano dizer e fazer coisas cujo sentido ele não conhece.
Nesse sentido, o inconsciente não é um monstro nem um juiz moral: é uma entidade da natureza, indiferente do ponto de vista moral e intelectual, que responde às necessidades do equilíbrio psíquico. Jung o descreve como neutro, natureza ao mesmo tempo espiritual e terrena.
Jung também usa natureza em par com cultura. Temos as duas necessidades e não podemos abrir mão de nenhuma. A consciência, ao se diferenciar, se afasta da natureza, e parte do trabalho psicológico é reencontrar esse chão sem perder o que a cultura conquistou.



