Jung insiste num ponto que costuma chocar: a morte não é só o fim de um processo, mas a meta para a qual a vida inteira tende. Se a vida é orientada para um fim, a sua conclusão lógica é a morte, e a ascensão e o auge são etapas a caminho dela. Por isso, na segunda metade da vida, a tarefa psicológica é também preparar-se para morrer.
Ele notava, com espanto, o pouco caso que o inconsciente faz da morte. O inconsciente parece se interessar menos pelo fato de morrer do que pelo modo de morrer, se a atitude consciente está ou não em acordo com esse processo. E não conhece a destruição total: conhece a mudança.
No plano simbólico, a morte é o primeiro tempo da transformação. O motivo da morte e do renascimento atravessa os mitos e os sonhos: para que uma atitude nova nasça, a antiga precisa morrer. Por isso sonhar com a morte, para Jung, raramente fala da morte física.
