Nos textos alquímicos, Mercurius é muitas coisas ao mesmo tempo: o metal mercúrio, o deus Hermes, o planeta e, sobretudo, a substância secreta que transforma, o espírito presente em todas as criaturas. Jung dedicou a ele um estudo próprio, O espírito Mercurius, e o descreve como deus, gênio, pessoa e coisa, aquilo que se oculta no mais íntimo do ser humano.
Mercurius é duplo, capaz dos dois lados: é a fonte de todos os opostos. É ao mesmo tempo veneno e remédio, matéria e espírito, masculino e feminino, enganador e revelador. Os alquimistas distinguiam o mercúrio comum do mercúrio filosófico, que era o verdadeiro agente da obra.
Para Jung, a imagem que os textos fazem de Mercurius concorda no essencial com as propriedades do inconsciente: escorregadio, ambíguo, transformador. Ele aparece também como o trickster, o malandro divino, e como guia de almas. Trabalhar com Mercurius é trabalhar com uma força que tanto pode curar quanto destruir.


