O lapis philosophorum, a pedra dos filósofos, é o símbolo central da alquimia: a meta da obra, gerada pela união dos opostos. Os alquimistas lhe atribuíam duração eterna e eficácia inesgotável, e a descreviam como algo vivo, às vezes como um homenzinho ou uma criança divina.
Jung lê a pedra psicologicamente: ela corresponde à ideia do si-mesmo, produto da consciência e do inconsciente. Não é um eu humano, diz ele, mas um ser coletivo. Na série histórica dos símbolos do si-mesmo, a pedra aparece ao lado de Cristo, do Graal e da cruz.
Um traço curioso é que a pedra está no começo e no fim. Os textos dizem que a pedra é sempre a pedra: ela é a matéria desprezada do início e o produto final da obra. Jung toma isso como imagem da individuação: o si-mesmo já existe de modo inconsciente desde o começo, e o processo é o de torná-lo consciente.

