A função inferior é a função psicológica que a consciência menos exercita: a oposta à dominante. Por não ter passado pela diferenciação, ela não está à disposição da vontade. Jung diz que ela nos acomete e fascina a ponto de deixarmos de ser donos de nós mesmos, e que coincide com o lado obscuro da personalidade.
Inferior, aqui, é um termo psicológico, não patológico. A função apenas ficou para trás em relação à principal; é o preço estrutural de toda especialização. A sua energia abandonada passa para o inconsciente e o vivifica, e daí nascem fantasias e humores que correspondem a essa função tornada arcaica.
Por isso a função inferior é ao mesmo tempo fonte de sofrimento e de renovação. Ela guarda frescor e vitalidade justamente por ser pouco usada. Num seminário, Jung diz que é sempre ela que fecha o ciclo e traz a completude, e que, enquanto não se conhece a função inferior de alguém, não se conhece nada sobre essa pessoa.


