Em Tipos psicológicos (1921), Jung diz que a única expressão que encontra para certa atividade da alma é fantasia: ela é tanto sentimento quanto pensamento, tanto intuição quanto sensação. É a mãe de todas as possibilidades, onde o mundo interior e o exterior formam uma unidade viva.
Para Jung, a fantasia é a linguagem própria da psique. A energia psíquica não chega à consciência como conceito, mas como imagem. Por isso a fantasia não é irrealidade a descartar: é o fato psíquico primário, e a fantasia criadora é a função que une os opostos.
Ele distingue dois modos. A fantasia passiva irrompe pronta, como o sonho, e pede crítica, porque expressa só o ponto de vista do inconsciente. A fantasia ativa nasce quando a consciência acolhe os indícios do inconsciente e trabalha com eles: aí os dois lados se encontram num produto comum. É dessa fantasia ativa que sai a imaginação ativa, e também a criação artística e religiosa.

