Jung usa encarnação em vários registros e marca a passagem de um para outro. Em termos mitológicos, diz ele, há uma encarnação; em termos psicológicos, o surgimento de um processo inconsciente no campo da consciência. É essa tradução que guia a sua leitura.
No cristianismo, encarnação é o mistério de Deus que se torna homem em Cristo. Jung lê esse dogma como a expressão religiosa do que a psicologia chama de individuação: a autorrealização, em linguagem metafísica e religiosa, é a encarnação divina. Os atributos de Cristo, diz ele, o mostram como uma encarnação do si-mesmo.
Na alquimia, encarnação é a fixação do espírito na matéria: algo espiritual ganha corpo. Em todos os sentidos, a ideia é a de algo maior que se torna concreto, limitado e real, e que, ao fazer isso, se transforma.


